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DEUS

  • svdee1
  • 26 de set. de 2025
  • 15 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

DEUS

ENTENDIMENTOS

Deus existe desde toda a eternidade e é O Criador, a inteligência suprema e a causa primária - O Pai de Todas as Coisas, pois criou tudo o que existe; está acima dos dois elementos gerais do Universo, que são o espírito e a matéria, governando-os, dominando-os e Se mostrando com atributos essenciais distintos deles. (1)(6)(17)(18)(19)(22)

Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade ou se foi criada por Ele em algum momento. (16)

O homem desconhece o princípio das coisas porque Deus não permite que tudo lhe seja revelado neste mundo. (12)(14)

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus; falta-lhe o sentido para isso. (9)(13)

Entretanto, o homem pode adquirir, dentro de certos limites, algum conhecimento sobre seu passado e seu futuro, por meio de comunicações de caráter elevado dos Espíritos cuja divulgação Deus autoriza. (15)

Quanto mais primitivo, o homem O confunde com a criatura, atribuindo-Lhe as mesmas imperfeições humanas; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, faz ideia mais justa d’A Divindade, ainda que sempre incompleta. O que explica isso: “Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.” (9)(11)

O homem só compreenderá o mistério d’A Divindade quando não tiver mais o espírito obscurecido pela matéria; quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele O verá e compreenderá. (9)

Ainda que não consigamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos entrever pelo pensamento algumas de Suas perfeições.

Dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. Entretanto, ainda há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, que nossa linguagem restrita às nossas idéias e sensações não tem meios de exprimir.

Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que Se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.

Deus é eterno, porque, se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

É imutável, pois se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam estabilidade alguma.

É imaterial, ou seja, a Sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, Ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

É único, pois, se houvesse outros deuses, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

É onipotente, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto Ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro deus. A maior comprovação do Seu poder é a própria Criação, pois o Universo foi criado exclusivamente por Sua vontade; como consta na Gênese: “Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.”

É soberanamente justo e bom, modelo de amor e caridade. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e não permite se duvide nem da justiça, nem da bondade de Deus. (1)(10)(11)(16)(19)

A inteligência de Deus se revela em Suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são O Próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou. (11)

Deus é infinito em Suas perfeições, mas dizer que Deus é o infinito seria tomar o atributo de uma coisa pela própria coisa, ambas desconhecidas. A linguagem humana é pobre demais para definir Deus. (7)

Crer que as manifestações espíritas sejam coisa do diabo é diminuir Deus, pois não seria possível que Ele permitisse somente ao mal manifestar-se sem a contrapartida do bem. Se Ele não pudesse fazer o bem comunicar-se, não seria onipotente; e, se pudesse e não o fizesse, desmentiria a Sua bondade. Ambas as suposições seriam blasfemas. (2)

Não importa a definição que os homens dêem para Ele: o princípio de todas as coisas, o criador do Universo, a inteligência suprema, o infinito, o grande Espírito, etc., etc. Em definitivo, será sempre Deus. (3)

A prova da existência de Deus está no axioma de nossa ciência “Não há efeito sem causa”. Tudo o que não é obra do homem tem que ter sido criado por alguém. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e crer que o nada pode criar alguma coisa.

O sentimento instintivo da existência de Deus que todos os homens trazem em si também comprova que Deus existe, pois, de onde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? Ainda aí se usa o princípio — não há efeito sem causa. Esse sentimento não poderia ser fruto somente de ideias adquiridas pela educação, pois, se assim fosse, não existiria esse sentimento entre selvagens; também não seria universal e só existiria naqueles que tivessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.(8)

Os Espíritos informaram que são os agentes da vontade de Deus, com missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade. (4)

O orgulho, a vaidade e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus, sempre impeditivos de se adquirir maior compreensão das coisas. (5)(22)

Os benfeitores também disseram que Deus é um Ser distinto e não, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas. Se fosse assim, Deus não existiria, porque seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial.” – Disseram eles.

Como ainda não temos conhecimento suficiente, insistir em definí-lO seria um labirinto sem saída. Isso não nos melhoraria, somente nos deixaria um pouco mais orgulhosos, com a ilusão de saber, quando na realidade nada saberíamos. Aconselharam-nos a estudarmos primeiro a nós mesmos, para nos libertarmos das nossas imperfeições, que é o que realmente nos compete. Isso será mais útil do que pretendermos penetrar o que é impenetrável. (11)

Deus renova os mundos, como renova os seres vivos. Os mundos que desaparecem têm sua matéria disseminada no espaço novamente.

Só Deus sabe quanto tempo dura a formação dos mundos. (20)

Reconhecer a Ciência nas leis da Natureza não deixa Deus menor, nem menos poderoso. A obra continua sendo sublime mesmo sem ter sido instantânea. É preciso reconhecer a onipotência divina nas leis eternas que regem os mundos.

A Ciência, longe de minimizar a obra divina, mostra-a sob aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pelo próprio fato de não ter havido derrogação das leis da Natureza.

As ideias religiosas se engrandecem ao caminhar de par com a Ciência, pois não ficam vulneráveis ao ceticismo. (22)



FONTES

Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita VI"

(1) "Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. “Criou o Universo, que abrange todos os seres animados, e inanimados, materiais e imateriais.

Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita X"

(2) Efetivamente, como acreditar que Deus só ao Espírito do mal permita que se manifeste, para perder-nos, sem nos dar por contrapeso os conselhos dos bons Espíritos? Se ele não o pode fazer, não é onipotente; se pode e não o faz, desmente a sua bondade. Ambas as suposições seriam blasfemas.

Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita XIII"

(3) Outro tanto acontece relativamente a Deus. Será: o princípio de todas as coisas, o criador do Universo, a inteligência suprema, o infinito, o grande Espírito, etc., etc. Em definitivo, será sempre Deus.

Livro dos Espíritos, Prolegômenos

(4) Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

(5) “Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz.”

Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo I – De Deus

(6) 1. Que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

(7) 3. Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?

“Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens.”

Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a primeira.

(8) PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio — não há efeito sem causa.”

6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?

“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.

ATRIBUTOS DA DIVINDADE

(9) 10. Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?

“Não; falta-lhe para isso o sentido.”

11. Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz idéia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.

(10) 12. Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar idéia de algumas de suas perfeições?

De algumas, sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.”

13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de seus atributos?

“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”

Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.

É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

PANTEÍSMO

(11) 14. Deus é um ser distinto, ou será, como opinam alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial.

Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, conseguintemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”

15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, ou, por outra, que se deve pensar da doutrina panteísta?

“Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao menos ser uma parte de Deus.”

16. Pretendem os que professam esta doutrina achar nela a demonstração de alguns dos atributos de Deus: Sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio, ou o nada em parte alguma, Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?

“A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.”

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou.

A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo II – Dos Elementos Gerais do Universo

CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS

(12) 17. É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?

“Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo.”

(13) 18. Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?

“O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui.”

(14) 19. Não pode o homem, pelas investigações científicas, penetrar alguns dos segredos da Natureza?

“A Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas; ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu.”

Quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.

(15) 20. Dado é ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos?

“Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à ciência não é dado apreender.”

Por essas comunicações é que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro.

(16) 21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento?

“Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?”

ESPÍRITO E MATÉRIA

(17) 27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?

“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.

Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

a) — Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?

“Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.”

(18) 28. Pois que o espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de — matéria inerte e matéria inteligente?

“As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”

Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.

Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo III – Da Criação

FORMAÇÃO DOS MUNDOS

(19) 37. O Universo foi criado, ou existe de toda a eternidade, como Deus?

“É fora de dúvida que ele não pode ter-se feito a si mesmo. Se existisse, como Deus, de toda a eternidade, não seria obra de Deus.”

Diz-nos a razão não ser possível que o Universo se tenha feito a si mesmo e que, não podendo também ser obra do acaso, há de ser obra de Deus.

38. Como criou Deus o Universo?

“Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese – ‘Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.’ ”

(20) 41. Pode um mundo completamente formado desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço a matéria que o compõe?

“Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.”

42. Poder-se-á conhecer o tempo que dura a formação dos mundos: da Terra, por exemplo?

“Nada te posso dizer a respeito, porque só o Criador o sabe e bem louco será quem pretenda sabê-lo, ou conhecer que número de séculos dura essa formação.”

PLURALIDADE DOS MUNDOS

(21) 55. São habitados todos os globos que se movem no espaço?

“Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição.

Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade!

Julgam que só para eles criou Deus o Universo.”

Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes. (B)(C)

CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS CONCERNENTES À CRIAÇÃO

(22) 59. ...Escavando os arquivos da Terra, a Ciência descobriu em que ordem os seres vivos lhe apareceram na superfície, ordem que está de acordo com o que diz a Gênese, havendo apenas a notar-se a diferença de que essa obra, em vez de executada milagrosamente por Deus em algumas horas, se realizou, sempre pela sua vontade, mas conformemente à lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Ficou sendo Deus, por isso, menor e menos poderoso? Perdeu em sublimidade a sua obra, por não ter o prestígio da instantaneidade? Indubitavelmente, não. Fora mister fazer-se da Divindade bem mesquinha idéia, para se não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para regerem os mundos. A Ciência, longe de apoucar a obra divina, no-la mostra sob aspecto mais grandioso e mais acorde com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de ela se haver efetuado sem derrogação das leis da Natureza.

…As idéias religiosas, longe de perderem alguma coisa, se engrandecem, caminhando de par com a Ciência. Esse o meio único de não apresentarem lado vulnerável ao cepticismo.


DADOS CIENTÍFICOS ATUAIS

B - Astrônomos da Agência Espacial Canadense – CSA, analisando as imagens do Hubble, estimam que existam mais de um trilhão de galáxias no Universo observável. Além das galáxias, também existe uma infinidade de outros objetos conhecidos pela ciência humana: estrelas, planetas, buracos negros, cometas e asteroides.

National Geographic Brasil – abr/2023

C - Estima-se que a nossa galáxia, a Via Láctea, possui de 200 a 400 bilhões de estrelas. As galáxias possuem em média centenas de bilhões de estrelas. E as estimativas também apontam para centenas de bilhões de galáxias no Universo. Isto resultaria na existência de mais de 10 sextilhões de estrelas.

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - set/2024



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