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O PRINCÍPIO INTELIGENTE É INDEPENDENTE DO PRINCÍPIO MATERIAL

  • svdee1
  • 8 de out. de 2025
  • 7 min de leitura

Atualizado: 30 de mar.

ENTENDIMENTOS

Pode existir vida desprovida de pensamento; logo, o princípio vital é coisa distinta e independente do pensamento. (1)

Por meio da observação, é notório que:

- os seres orgânicos têm em si uma força íntima que determina o fenômeno da vida, enquanto essa força existe;

- a vida material é comum a todos os seres orgânicos e independe da inteligência e do pensamento;

- a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas;

- dentre essas espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, está a espécie humana, que é dotada também de um senso moral especial, dando-lhe incontestável superioridade sobre as outras. (2)

O homem tem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos. (3)

Fenômenos que não obedecem às leis da ciência (que estuda o Mundo Material) se dão por toda parte, revelando na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma força inteligente e os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

Interrogada acerca da sua natureza, essa força declarou pertencer ao Mundo Espiritual. Assim é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos. (4)

Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade ou se foi criada por Ele em algum momento. (5)

Os Espíritos definiram a matéria como o laço que prende o Espírito; instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. Assim, a matéria seria o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual o Espírito atua. (6)

O Espírito é o princípio inteligente do Universo. Sua natureza íntima não consegue ser percebida pelos homens, somente pelos Espíritos Superiores. E, para estes, fica difícil explicar o que seja o Espírito com a nossa linguagem limitada. Não é sinônimo de inteligência, que é um atributo seu; porém, como ambos têm um princípio comum, o homem confunde os dois. (7)

O Espírito também não é uma propriedade da matéria; ele é independente desta. Porém, a união de ambos é necessária para que a matéria se intelectualize. Essa união só é necessária para a manifestação do espírito (princípio inteligente) para nós, encarnados, porque nossos sentidos não são apropriados para perceber o espírito sem a matéria. Pode-se conceber o espírito sem a matéria e vice-versa pelo pensamento. (8)(9)

A Trindade Universal (Deus, espírito e matéria) é o princípio de tudo o que existe. Deus é O Criador, O Pai de Todas as Coisas; está acima dos dois elementos gerais do Universo, que são o espírito e a matéria.

A matéria propriamente dita é grosseira demais para que o espírito possa atuar sobre ela. Por isso é preciso aplicar o Fluido Universal (Ou Primitivo, ou Elementar.) ao princípio material. O Fluido Universal é o intermediário entre o espírito e a matéria, mas, embora se associe ao princípio material, não é matéria; ele se distingue desta por propriedades especiais. Se fosse classificado como matéria, o espírito também o seria. Ele é fluido e o espírito o combina com a matéria, produzindo infinita variedade de coisas, das quais conhecemos mínima parte. (10)

Os Espíritos desconhecem a origem e a conexão entre o princípio inteligente e o material ou se promanam da mesma fonte, mas, conseguem identificá-los separadamente um do outro, por isso os consideram como dois elementos distintos constitutivos do universo. Não sabem se a inteligência tem existência própria, se é uma propriedade, um efeito ou se é uma emanação d’A Divindade, porém, identificam uma Inteligência Superior dominando e governando esses princípios e distinguindo-Se deles por atributos essenciais. Daí, terem classificado a Trindade Universal: Deus acima do princípio inteligente e do material, que estariam em mesmo nível.(11)


FONTES

Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita II"

(1) Pois que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar, o princípio vital é coisa distinta e independente.

(2) Seja como for, um fato há que ninguém ousaria contestar, pois que resulta da observação: é que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que determina o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; finalmente, que entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento há uma dotada também de um

senso moral especial, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras: a espécie humana.

Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita VI"

(3) “Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.

Livro dos Espíritos, Prolegômenos

(4) Fenômenos alheios às leis da ciência humana se dão por toda parte, revelando na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma força inteligente e os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

Interrogada acerca da sua natureza, essa força declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do invólucro corporal do homem. Assim é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos.

Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo II – Dos Elementos Gerais do Universo

ESPÍRITO E MATÉRIA

(5) 21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento?

“Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?”

(6) 22. Define-se geralmente a matéria como sendo — o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?

“Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.”

a) — Que definição podeis dar da matéria?

“A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.”

Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o espírito.

(7) 23. Que é o espírito?

“O princípio inteligente do Universo.”

a) — Qual a natureza íntima do espírito?

“Não é fácil analisar o espírito com a vossa linguagem.

Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

24. É o espírito sinônimo de inteligência?

“A inteligência é um atributo essencial do espírito. Uma e outro, porém, se confundem num princípio comum, de sorte que, para vós, são a mesma coisa.”

(8) 25. O espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar?

“São distintos uma do outro; mas, a união do espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria.”

a) — Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam.)

“É necessária a vós outros, porque não tendes organização apta a perceber o espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os vossos sentidos.”

(9) 26. Poder-se-á conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito?

“Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento.”

(10) 27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?

“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.

Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

a) — Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?

“Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.”

(11) 28. Pois que o espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de — matéria inerte e matéria inteligente?

“As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”

Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.

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