CRIAÇÃO
- svdee1
- 7 de out. de 2025
- 21 min de leitura
Atualizado: há 4 dias
ENTENDIMENTOS
O homem desconhece o princípio das coisas porque Deus não permite que tudo lhe seja revelado neste mundo. (9)
Entretanto, o homem pode adquirir, dentro de certos limites, algum conhecimento sobre o seu passado e o seu futuro, por meio de comunicações de caráter elevado dos Espíritos cuja divulgação Deus autoriza. (10)
Para crer-se em Deus, basta olhar as obras da Criação. Não há efeito sem causa. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e crer que o nada pode criar alguma coisa. (5)(14)
A causa primária da Criação também não pode ser atribuída às propriedades da matéria porque elas também são um efeito que há de ter uma causa.(6)
A harmonia do Universo demonstra combinações e desígnios determinados, revelando um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso. (7)(14)
O poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Se nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primária é, portanto, uma inteligência superior à Humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha alcançado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que faça, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem. (8)
Deus criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais, pela Sua Vontade. Como consta na Gênese – “Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita. ” (1)(14)
Tudo o que se consegue compreender sobre a formação dos mundos é que eles se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço. (15)
Os cometas são um começo de condensação da matéria, mundos em via de formação. Embora todos os corpos celestes influam de algum modo em certos fenômenos físicos, os cometas não têm influência sobre os acontecimentos corriqueiros como alguns crêem. (16)
Os mundos são constantemente renovados por Deus e os que desaparecem têm sua matéria disseminada no espaço novamente. (17)
Só Deus sabe quanto tempo dura a formação dos mundos. (18)
Os seres materiais (Entre eles, nós, enquanto encarnados.) constituem o mundo visível, ou corpóreo, ou corporal, e os seres imateriais (Espíritos ou Gênios), o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos. O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita. (2)
Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento. Dentre as diferentes espécies de seres corpóreos, terráqueos, o homem tem superioridade moral e intelectual sobre as demais. Porém, todos os globos que se movem pelo espaço são habitados e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Deus não criou o Universo somente para a recreação da humanidade terrestre; Ele não faz nada inútil. (3)(22)
Antes da formação da Terra, os elementos orgânicos estavam, por assim dizer, em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo.
Os Espíritos não disseram quando a Terra começou a ser povoada, mas informaram que, no início da formação da Terra, tudo era caos, os elementos estavam em confusão, mas os gérmens dos seres vivos já estavam presentes, em estado latente, aguardando as condições mais favoráveis para o seu desenvolvimento. Quando cessou a força que mantinha os princípios orgânicos afastados, surgiram as condições propícias; eles foram se agrupando e, pouco a pouco, foram surgindo e se multiplicando os seres vivos apropriados ao estado do globo.
A espécie humana se encontrava entre esses elementos orgânicos contidos no globo terrestre. Daí veio o dito de que o homem veio do limo da terra.
A chamada “geração espontânea” ainda se dá hoje, pelo desabrochar de um gérmen primitivo que já existia em estado latente como, por exemplo, o caso dos vermes que comem a carne dos cadáveres – eles habitam os tecidos do corpo dos seres vivos e só eclodem na morte do hospedeiro.
Se o gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos?
“O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.” – Foi a resposta dos Espíritos autores.
Quanto a este assunto, Kardec afirma que a formação dos seres vivos saindo do caos pela força da Natureza não diminui em nada a grandeza de Deus, ao contrário, prova o Seu poder a Se exercer sobre a infinidade dos mundos por meio de leis eternas. Porém, esta teoria não resolve a questão da origem dos elementos vitais. Deus tem Seus mistérios e pôs limites às nossas investigações.
À época de Kardec, todos os cálculos sobre a época do aparecimento do homem e demais seres vivos na Terra eram fantasiosos; não era possível precisar uma data. (19)
A espécie humana não começou por um único homem. Aquele a quem chamamos Adão, que teria vivido, mais ou menos, cerca de 4.000 anos antes de Cristo, não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra.
Kardec disse que o homem que a tradição chama de Adão foi um dos que sobreviveram, em determinada região, a alguns dos grandes cataclismos que modificaram a superfície do globo e que se constituiu tronco de uma das raças que atualmente o povoam. Disse, ainda, que muitos, com mais razão, consideram Adão um mito ou uma alegoria que personifica as primeiras idades do mundo. (20)(25)
As diferenças físicas e morais que distinguem as raças humanas na Terra provêm do clima, da vida e dos costumes. O homem surgiu em muitos pontos do globo e em várias épocas, sendo isso uma das causas das diferenças de raças. A dispersão dos homens por climas diversos e a miscigenação das raças formaram os diversos tipos existentes. São todos, entretanto, da mesma família e todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo fim. (21)(25)
Os povos têm ideias bem diferentes sobre a Criação, conforme seu desenvolvimento intelectual. A razão amparada pela Ciência reconhece o equívoco de algumas dessas teorias.
Os Espíritos autores apresentam uma teoria que é partilhada por homens mais esclarecidos. A objeção que se pode fazer a ela é a de contradizer a Bíblia.
Apesar das discrepâncias apontadas, a Bíblia não é um erro. Os homens é que se equivocam ao interpretá-la.
Ela teria sido escrita ao estilo oriental, totalmente alegórico, comum aos livros sagrados dos povos.
Reconhecer a Ciência nas leis da Natureza não deixa Deus menor, nem menos poderoso. A obra continua sendo sublime mesmo sem ter sido instantânea. É preciso reconhecer a onipotência divina nas leis eternas que regem os mundos.
A Ciência, longe de minimizar a obra divina, mostra-a sob aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pelo próprio fato de não ter havido derrogação das leis da Natureza.
As ideias religiosas se engrandecem ao caminhar de par com a Ciência, pois não ficam vulneráveis ao ceticismo. (25)
Os Espíritos desenharam uma cepa como símbolo do trabalho d’O Criador, com o corpo sendo representado pela cepa; o espírito sendo o licor; e a alma ou Espírito ligado à matéria, o bago. (4)
Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade ou se foi criada por Ele em algum momento. (11)
Os Espíritos autores desconhecem a origem e a conexão entre o princípio inteligente e o material ou se promanam da mesma fonte, mas, conseguem identificá-los separadamente um do outro, por isso os consideram como dois elementos distintos constitutivos do universo. Não sabem se a inteligência tem existência própria, se é uma propriedade, um efeito ou se é uma emanação d’A Divindade, porém, identificam uma Inteligência Superior dominando e governando esses princípios e distinguindo-Se deles por atributos essenciais. Daí, terem classificado a Trindade Universal: Deus acima do princípio inteligente e do material, que estariam em mesmo nível.(12)
O espaço universal é infinito. Não o compreendemos devido à nossa limitação evolutiva. Há infinito em todas as coisas. Supondo-se um limite ao espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que há alguma coisa além desse limite e assim, gradativamente, até ao infinito. Embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço. Não existe vácuo absoluto. O que parece vazio está ocupado por matéria que nos escapa aos sentidos e aos instrumentos. (13)
Os diferentes globos possuem constituições físicas distintas, variando também os corpos dos habitantes de cada um, que são de matéria diferente da nossa e possuem órgãos diferentes também. (9)(24)
Há outras fontes de luz e calor além do sol.
Em outros mundos, a eletricidade desempenha um papel bem mais importante que desconhecemos. (24)
FONTES
Livro dos Espíritos, Introdução, "Ao Estudo da Doutrina Espírita VI"
(1) "Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. “Criou o Universo, que abrange todos os seres animados, e inanimados, materiais e imateriais.
(2) “Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos. “O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. “O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
(3) “Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.
Livro dos Espíritos, Prolegômenos
(4) “Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo I – De Deus
(5) PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
(6) 7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?
“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.”
Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa.
(7) 8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”
A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.
(8) 9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem.
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo II – Dos Elementos Gerais do Universo
CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS
(9) 17. É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?
“Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo.”
(10) 20. Dado é ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos?
“Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à ciência não é dado apreender.”
Por essas comunicações é que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro.
ESPÍRITO E MATÉRIA
(11) 21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento?
“Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?”
(12) 28. Pois que o espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de — matéria inerte e matéria inteligente?
“As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”
Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.
ESPAÇO UNIVERSAL
(13) 35. O Espaço universal é infinito ou limitado?
“Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo.”
Supondo-se um limite ao Espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite alguma coisa há e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto, embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria Espaço.
36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?
“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo III – Da Criação
FORMAÇÃO DOS MUNDOS
(14) O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem.
37. O Universo foi criado, ou existe de toda a eternidade, como Deus?
“É fora de dúvida que ele não pode ter-se feito a si mesmo. Se existisse, como Deus, de toda a eternidade, não seria obra de Deus.”
Diz-nos a razão não ser possível que o Universo se tenha feito a si mesmo e que, não podendo também ser obra do acaso, há de ser obra de Deus.
38. Como criou Deus o Universo?
“Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese – ‘Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.’ ”
(15) 39. Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos?
“Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço.”
(16) 40. Serão os cometas, como agora se pensa, um começo de condensação da matéria, mundos em via de formação?
“Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar-se na influência deles. Refiro-me à influência que vulgarmente lhes atribuem, porquanto todos os corpos celestes influem de algum modo em certos fenômenos físicos.”
(17) 41. Pode um mundo completamente formado desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço a matéria que o compõe?
“Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.”
(18) 42. Poder-se-á conhecer o tempo que dura a formação dos mundos: da Terra, por exemplo?
“Nada te posso dizer a respeito, porque só o Criador o sabe e bem louco será quem pretenda sabê-lo, ou conhecer que número de séculos dura essa formação.”
(19) FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS
43. Quando começou a Terra a ser povoada?
“No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar.
Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.”
44. Donde vieram para a Terra os seres vivos?
“A Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então, e se multiplicaram.”
45. Onde estavam os elementos orgânicos, antes da formação da Terra?
“Achavam-se, por assim dizer, em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo.”
A Química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formarem cristais de uma regularidade constante, conforme cada espécie, desde que se encontrem nas condições precisas. A menor perturbação nestas condições basta para impedir a reunião dos elementos, ou, pelo menos, para obstar à disposição regular que constitui o cristal. Por que não se daria o mesmo com os elementos orgânicos? Durante anos se conservam germens de plantas e de animais, que não se desenvolvem senão a uma certa temperatura e em meio apropriado. Têm-se visto grãos de trigo germinarem depois de séculos. Há, pois, nesses germens um princípio latente de vitalidade, que apenas espera uma circunstância favorável para se desenvolver. O que diariamente ocorre debaixo das nossas vistas, por que não pode ter ocorrido desde a origem do globo terráqueo? A formação dos seres vivos, saindo eles do caos pela força mesma da Natureza, diminui de alguma coisa a grandeza de Deus? Longe disso: corresponde melhor à idéia que fazemos do seu poder a se exercer sobre a infinidade dos mundos por meio de leis eternas. Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas, Deus tem seus mistérios e pôs limites às nossas investigações.
46. Ainda há seres que nasçam espontaneamente?
“Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e do dos animais não encerram os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida que lhes é necessária à existência? É um mundo minúsculo que dormita e se cria.”
47. A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre?
“Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da terra.”
48. Poderemos conhecer a época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos na Terra?
“Não; todos os vossos cálculos são quiméricos.”
49. Se o gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos?
“O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.”
(20) POVOAMENTO DA TERRA. ADÃO
50. A espécie humana começou por um único homem?
“Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra.”
51. Poderemos saber em que época viveu Adão?
“Mais ou menos na que lhe assinais: cerca de 4.000 anos antes do Cristo.”
O homem, cuja tradição se conservou sob o nome de Adão, foi dos que sobreviveram, em certa região, a alguns dos grandes cataclismos que revolveram em diversas épocas a superfície do globo, e se constituiu tronco de uma das raças que atualmente o povoam. As leis da Natureza se opõem a que os progressos da Humanidade, comprovados muito tempo antes do Cristo, se tenham realizado em alguns séculos, como houvera sucedido se o homem não existisse na Terra senão a partir da época indicada para a existência de Adão. Muitos, com mais razão, consideram Adão um mito ou uma alegoria que personifica as primeiras idades do mundo.
(21) DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS
52. Donde provêm as diferenças físicas e morais que distinguem as raças humanas na Terra?
“Do clima, da vida e dos costumes. Dá-se aí o que se dá com dois filhos de uma mesma mãe que, educados longe um do outro e de modos diferentes, em nada se assemelharão, quanto ao moral.”
53. O homem surgiu em muitos pontos do globo?
“Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram.”
a) — Estas diferenças constituem espécies distintas?
“Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie?”
54. Pelo fato de não proceder de um só indivíduo a espécie humana, devem os homens deixar de considerar-se irmãos?
“Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo fim. Estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal.”
PLURALIDADE DOS MUNDOS
(22) 55. São habitados todos os globos que se movem no espaço?
“Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição.
Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade!
Julgam que só para eles criou Deus o Universo.”
Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.
(23) 56. É a mesma a constituição física dos diferentes globos?
“Não; de modo algum se assemelham.”
57. Não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos, seguir-se-á tenham organizações diferentes os seres que os habitam?
“Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.”
(24) 58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?
“Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgãos de conformação idêntica à dos vossos.”
As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro d’água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender?
Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.
CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS CONCERNENTES À CRIAÇÃO
(25) 59. Os povos hão formado idéias muito divergentes acerca da Criação, de acordo com as luzes que possuíam. Apoiada na Ciência, a razão reconheceu a inverossimilhança de algumas dessas teorias. A que os Espíritos apresentam confirma a opinião de há muito partilhada pelos homens mais esclarecidos.
A objeção que se lhe pode fazer é a de estar em contradição com o texto dos livros sagrados. Mas, um exame sério mostrará que essa contradição é mais aparente do que real e que decorre da interpretação dada ao que muitas vezes só tinha sentido alegórico.
A questão de ter sido Adão, como primeiro homem, a origem exclusiva da Humanidade, não é a única a cujo respeito as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em determinada época, tão em oposição às letras sagradas, que não houve gênero de perseguições a que essa teoria não tivesse servido de pretexto, e, no entanto, a Terra gira, malgrado aos anátemas, não podendo ninguém hoje contestá-lo, sem agravo à sua própria razão.
Diz também a Bíblia que o mundo foi criado em seis dias e põe a época da sua criação há quatro mil anos, mais ou menos, antes da era cristã. Anteriormente, a Terra não existia; foi tirada do nada: o texto é formal. Eis, porém, que a ciência positiva, a inexorável ciência, prova o contrário. A história da formação do globo terráqueo está escrita em caracteres irrecusáveis no mundo fóssil, achando-se provado que os seis dias da criação indicam outros tantos períodos, cada um de, talvez, muitas centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião insulada; é um fato tão certo como o do movimento da Terra e que a Teologia não pode negar-se a admitir, o que demonstra evidentemente o erro em que se está sujeito a cair tomando ao pé da letra expressões de uma linguagem freqüentemente figurada. Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro?
Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.
Escavando os arquivos da Terra, a Ciência descobriu em que ordem os seres vivos lhe apareceram na superfície, ordem que está de acordo com o que diz a Gênese, havendo apenas a notar-se a diferença de que essa obra, em vez de executada milagrosamente por Deus em algumas horas, se realizou, sempre pela sua vontade, mas conformemente à lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Ficou sendo Deus, por isso, menor e menos poderoso? Perdeu em sublimidade a sua obra, por não ter o prestígio da instantaneidade? Indubitavelmente, não. Fora mister fazer-se da Divindade bem mesquinha idéia, para se não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para regerem os mundos. A Ciência, longe de apoucar a obra divina, no-la mostra sob aspecto mais grandioso e mais acorde com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de ela se haver efetuado sem derrogação das leis da Natureza.
De acordo, neste ponto, com Moisés, a Ciência coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém, indica, como sendo o do dilúvio universal, o ano 4.654 da formação do mundo, ao passo que a Geologia nos aponta o grande cataclismo como anterior ao aparecimento do homem, atendendo a que, até hoje, não se encontrou, nas camadas primitivas, traço algum de sua presença, nem da dos animais de igual categoria, do ponto de vista físico. Contudo, nada prova que isso seja impossível. Muitas descobertas já fizeram surgir dúvidas a tal respeito. Pode dar-se que, de um momento para outro, se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana e então se reconhecerá que, a esse propósito, como a tantos outros, o texto bíblico encerra uma figura. A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé. Ora, o tempo necessário à formação das camadas fósseis não permite confundi-los e, desde que se achem vestígios da existência do homem antes da grande catástrofe, provado ficará, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis; forçoso será aceitar-se esse fato, como se aceitaram o do movimento da Terra e os seis períodos da Criação.
A existência do homem antes do dilúvio geológico ainda é, com efeito, hipotética. Eis aqui, porém, alguma coisa que o é menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra 4.000 anos antes do Cristo e que, 1.650 anos mais tarde, toda a raça humana foi destruída, com exceção de uma só família, resulta que o povoamento da Terra data apenas de Noé, ou seja: de 2.350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país muito povoado e já bastante adiantado em civilização. A História prova que, nessa época, as Índias e outros países também estavam florescentes, sem mesmo se ter em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época muito mais afastada. Teria sido preciso, nesse caso, que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, isto é, que num espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem houvesse podido povoar todos os imensos países então conhecidos, suposto que os outros não o fossem, mas também que, nesse curto lapso de tempo, a espécie humana houvesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.
A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião.
O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar. O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto a hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos.
Tudo, ao invés, se explica, admitindo-se: que a existência do homem é anterior à época em que vulgarmente se pretende que ela começou; que diversas são as origens; que Adão, vivendo há seis mil anos, tenha povoado uma região ainda desabitada; que o dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial, confundida com o cataclismo geológico; e atentando-se, finalmente, na forma alegórica peculiar ao estilo oriental, forma que se nos depara nos livros sagrados de todos os povos. Isto faz ver quanto é prudente não lançar levianamente a pecha de falsas as doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, desmentir os que as combatem. As idéias religiosas, longe de perderem alguma coisa, se engrandecem, caminhando de par com a Ciência. Esse o meio único de não apresentarem lado vulnerável ao cepticismo. (A)


