MATÉRIA
- svdee1
- 12 de mar.
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Atualizado: há 2 dias
ENTENDIMENTOS
Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade ou se foi criada por Ele em algum momento. (2)
A causa primária da Criação também não pode ser atribuída às propriedades da matéria porque elas também são um efeito que há de ter uma causa.(1)
Geralmente definimos a matéria como sendo o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável, pois só falamos do que conhecemos. Entretanto, os Espíritos disseram que a matéria existe em estados que ignoramos e que pode ser tão etérea e sutil que nenhuma impressão nos cause aos sentidos, por exemplo, sendo matéria mesmo assim. (4)(6)
Definiram a matéria como o laço que prende o Espírito; instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. Assim, a matéria seria o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual o Espírito atua. (3)
Um dos elementos gerais do Universo, junto com o espírito e tendo Deus acima de ambos, forma a Trindade Universal, que é o princípio de tudo o que existe.
A matéria propriamente dita é grosseira demais para que o espírito possa atuar sobre ela. Por isso é preciso aplicar o Fluido Universal (Ou Primitivo, ou Elementar) ao princípio material. O Fluido Universal é o intermediário entre o espírito e a matéria, mas, embora se associe ao princípio material, não é matéria; ele se distingue desta por propriedades especiais. Se fosse classificado como matéria, o espírito também o seria. Ele é fluido e o Espírito o combina com a matéria, produzindo infinita variedade de coisas, das quais conhecemos mínima parte. Sem ele, a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.
O Fluido Universal não é a eletricidade. O que chamamos de Fluido Elétrico e de Fluido Magnético são modificações do Fluido Universal, que seria um material independente, mais perfeito e sutil. (4)
Os Espíritos desconhecem a origem e a conexão entre o princípio inteligente e o material ou se promanam da mesma fonte, mas, conseguem identificá-los separadamente um do outro, por isso os consideram como dois elementos distintos constitutivos do universo. Não sabem se a inteligência tem existência própria, se é uma propriedade, um efeito ou se é uma emanação d’A Divindade, porém, identificam uma Inteligência Superior dominando e governando esses princípios e distinguindo-Se deles por atributos essenciais. Daí, terem classificado a Trindade Universal: Deus acima do princípio inteligente e do material, que estariam em mesmo nível.(5)
A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria como nós, humanos, a entendemos, porém não o é do Fluido Universal, apesar deste também ser um tipo de matéria. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido nos é imponderável. Nem por isso ele deixa de ser o princípio da nossa matéria pesada.
A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo.(3)
A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que consideramos simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.(7)
As diversas propriedades da matéria são modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias. Consideramos os elementos da tabela periódica como a base de tudo o que existe por desconhecermos a substância primitiva de onde se derivam. Os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações dessa única substância primitiva e só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las. Por isso, nem todos percebemos as qualidades dos corpos do mesmo modo. A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades. “Tudo está em tudo.”
Exemplificando, os magnetizadores, pela ação da vontade, podem dar à água propriedades muito diversas: um gosto determinado e até as qualidades ativas de outras substâncias. Como não há mais de um elemento primitivo e as propriedades dos diferentes corpos são apenas modificações desse elemento, a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio e de duas de hidrogênio, pode tornar-se corrosiva, duplicando-se a proporção do oxigênio ou por meio da ação magnética dirigida pela vontade.(8)
Resume-se dizendo que a matéria possui só duas propriedades essenciais: a força e o movimento. Todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam conforme a intensidade da força, a direção do movimento e a disposição das moléculas. (9)
Destaque-se, ainda, que o que chamamos molécula está longe da molécula elementar. As moléculas têm formas determinadas que não somos capazes de apreciá-las.
As moléculas elementares primitivas têm forma constante; é variável a das moléculas secundárias, já que são aglomerações das primeiras. (10)
O espaço universal é infinito. Não o compreendemos devido à nossa limitação evolutiva. Há infinito em todas as coisas. Supondo-se um limite ao espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que há alguma coisa além desse limite e assim, gradativamente, até ao infinito. Embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço. Não existe vácuo absoluto. O que parece vazio está ocupado por matéria que nos escapa aos sentidos e aos instrumentos. (11)
Tudo o que os Espíritos autores conseguem nos fazer entender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço. Os cometas, por exemplo, são mundos em formação. (12)
Os mundos são constantemente renovados por Deus e os que desaparecem têm sua matéria disseminada no espaço novamente. (13)
As questões 43 a 49 tratam da formação dos seres vivos. Os seres vivos têm uma parte material, o corpo físico, e outra imaterial, o espírito. Essas questões falam de ambas as partes.
Por exemplo, na questão 43, os elementos que estavam em confusão no caos e que foram se organizando para propiciar a vida, eram os elementos materiais, para a formação dos corpos. Já os seres vivos apropriados ao globo, que surgiram quando houve essa organização necessária à vida, eram os espíritos, princípios inteligentes, que estavam em outros orbes (Questão 45) antes da formação da Terra e foram deixados em estado latente (Questão 44) durante a formação do planeta. (14)
Há outras fontes de luz e calor além do Sol.
Em outros mundos, a eletricidade desempenha um papel bem mais importante que desconhecemos.
Os seres de outros mundos são feitos de matéria diferente da nossa e com órgãos diferentes, adequados ao meio em que vivem. (15)
FONTES
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo I – De Deus
PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
(1) 7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?
“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.”
Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa.
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo II – Dos Elementos Gerais do Universo
ESPÍRITO E MATÉRIA
(2) 21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento?
“Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?”
(3) 22. Define-se geralmente a matéria como sendo — o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?
“Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.”
a) — Que definição podeis dar da matéria?
“A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.”
Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o espírito.
(4) 27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?
“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.
Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”
a) — Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?
“Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.”
(5) 28. Pois que o espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de — matéria inerte e matéria inteligente?
“As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dost ermos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”
Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.
PROPRIEDADES DA MATÉRIA
(6) 29. A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?
“Da matéria como a entendeis, sim; não, porém, da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que constitui esse fluido vos é imponderável. Nem por isso, entretanto, deixa de ser o princípio da vossa matéria pesada.”
A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo.
(7) 30. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos?
“De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.”
(8) 31. Donde se originam as diversas propriedades da matéria?
“São modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias.”
32. De acordo com o que vindes de dizer, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva?
“Sem dúvida e que só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las.”
A demonstração deste princípio se encontra no fato de que nem todos percebemos as qualidades dos corpos do mesmo modo: enquanto que uma coisa agrada ao gosto de um, para o de outro é detestável; o que uns vêem azul, outros vêem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.
33. A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades?
“Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo!”
(Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar-se, pela ação da vontade, a uma substância qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um gosto determinado e até as qualidades ativas de outras substâncias. Desde que não há mais de um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos são apenas modificações desse elemento, o que se segue é que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio e de duas de hidro-
gênio, se torna corrosiva, duplicando-se a proporção do oxigênio.
Transformação análoga se pode produzir por meio da ação magnética dirigida pela vontade.)
O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos simples são meras modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos achamos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primária, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova ordem.
(9) a) — Não parece que esta teoria dá razão aos que não admitem na matéria senão duas propriedades essenciais: a força e o movimento, entendendo que todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam conforme à intensidade da força e à direção do movimento?
“É acertada essa opinião. Falta somente acrescentar: e conforme à disposição das moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa.”
(10) 34. As moléculas têm forma determinada?
“Certamente, as moléculas têm uma forma, porém não sois capazes de apreciá-la.”
a) — Essa forma é constante ou variável?
“Constante a das moléculas elementares primitivas; variável a das moléculas secundárias, que mais não são do que aglomerações das primeiras. Porque, o que chamais molécula longe ainda está da molécula elementar.”
ESPAÇO UNIVERSAL
(11) 35. O Espaço universal é infinito ou limitado?
“Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo.”
Supondo-se um limite ao Espaço, por mais distante que a imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite alguma coisa há e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto, embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria Espaço.
36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?
“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”
Livro dos Espíritos, Parte Primeira, Das Causas Primárias, Capítulo III – Da Criação
FORMAÇÃO DOS MUNDOS
(12) 39. Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos?
“Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço.”
40. Serão os cometas, como agora se pensa, um começo de condensação da matéria, mundos em via de formação?
“Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar-se na influência deles. Refiro-me à influência que vulgarmente lhes atribuem, porquanto todos os corpos celestes influem de algum modo em certos fenômenos físicos.”
(13) 41. Pode um mundo completamente formado desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço a matéria que o compõe?
“Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.”
(14) FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS
43. Quando começou a Terra a ser povoada?
“No começo tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar.
Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.”
44. Donde vieram para a Terra os seres vivos?
“A Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então, e se multiplicaram.”
45. Onde estavam os elementos orgânicos, antes da formação da Terra?
“Achavam-se, por assim dizer, em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo.”
A Química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formarem cristais de uma regularidade constante, conforme cada espécie, desde que se encontrem nas condições precisas. A menor perturbação nestas condições basta para impedir a reunião dos elementos, ou, pelo menos, para obstar à disposição regular que constitui o cristal. Por que não se daria o mesmo com os elementos orgânicos? Durante anos se conservam germens de plantas e de animais, que não se desenvolvem senão a uma certa temperatura e em meio apropriado. Têm-se visto grãos de trigo germinarem depois de séculos. Há, pois, nesses germens um princípio latente de vitalidade, que apenas espera uma circunstância favorável para se desenvolver. O que diariamente ocorre debaixo das nossas vistas, por que não pode ter ocorrido desde a origem do globo terráqueo? A formação dos seres vivos, saindo eles do caos pela força mesma da Natureza, diminui de alguma coisa a grandeza de Deus? Longe disso: corresponde melhor à idéia que fazemos do seu poder a se exercer sobre a infinidade dos mundos por meio de leis eternas. Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas, Deus tem seus mistérios e pôs limites às nossas investigações.
46. Ainda há seres que nasçam espontaneamente?
“Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e do dos animais não encerram os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida que lhes é necessária à existência? É um mundo minúsculo que dormita e se cria.”
47. A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre?
“Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da terra.”
48. Poderemos conhecer a época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos na Terra?
“Não; todos os vossos cálculos são quiméricos.”
49. Se o gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos?
“O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.”
PLURALIDADE DOS MUNDOS
(15) 58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?
“Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgãos de conformação idêntica à dos vossos.”
As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro d’água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender?
Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.


